Talento SÉRGIO SÁ

Talento Inserida em: 1/2/2005 Foto: Cristina Reis Sérgio Sá Criar novas maneiras de ver, ouvir, sentir, lidar com o mundo. Esta é a proposta central do livro do versátil Sérgio Sá, 52 anos. Cego de nascença, ele construiu sua carreira como músico, intérprete, compositor e arranjador. Já tocou com Gilberto Gil, Stevie Wonder, Hermeto Paschoal, só para citar alguns famosos, e tem cerca de 300 canções gravadas por diversos intérpretes. Agora, com Feche os olhos para ver melhor - os limites dos sentidos e os sentidos dos limites, vive pela segunda vez a experiência de escrever. Nela, Sérgio Sá reflete sobre temas como inclusão, a supervalorização da imagem, auto-estima e a capacidade humana de perdoar e compreender. Cearense, radicado em São Paulo, Sérgio conta que escreveu este livro na base do "pegar um limão para fazer uma limonada", acrescentando que funcionou com uma espécie de alavanca para superar um momento ruim em sua vida. "Fui escrevendo espremendo o peito. Evoquei lembranças e criei histórias que ilustrassem situações e conflitos que desejava explorar. Estava em conflito profissional, tinha acabado de perder minha mãe.... escrever me fez ressurgir." A primeira obra - ao contrário de Feche os olhos para ver melhor na qual fala sobre sua condição de deficiente e sua relação com o mundo - foi baseada em sua experiência musical. É um estudo sobre a produção sonora que foi relançada no ano passado em sua 4ª edição, atualizada e prefaciada pelo Ministro da Cultura, Gilberto Gil. O título: Fábrica de Sons, uma encomenda da Editora Globo para atender a demanda do mercado. Nascido em Fortaleza (CE), Sérgio mudou-se para São Paulo aos 13 anos de idade para continuar seus estudos. Foi alfabetizado em braile na Terra natal e cursou o primeiro ciclo do Ensino Fundamental em uma escola especial, dirigida por um professor também cego. Na Terra da garoa, foi interno durante um ano no Instituto Padre Chico já que seus pais ficaram no Ceará e só se mudaram depois. "Foi uma mudança impactante. Tinha parentes em São Paulo, mas cheguei aqui sozinho, no início da adolescência, um período de descobertas, inclusive do próprio corpo, da sexualidade." Mesmo à distância, a união familiar foi mantida e o ele pôde contar com o apoio que o transformou em um homem seguro e ativo. Além disso, a curiosidade sempre foi um traço marcante da personalidade de Sérgio, e esta característica superou qualquer sensação de abandono. No Padre Chico, como já era músico autodidata e tocava piano 'de ouvido', se candidatou às aulas de música, que aconteciam no período extra-curricular. Foi nesse momento que teve seus primeiros contatos com a teoria musical, harmonia, ritmo. "Daí não parei mais, nem de estudar, nem de tocar." Sérgio considera que a maneira lúdica como aprendeu música, brincando com a arte na infância, o fez ser mais criativo, ousado e abriu caminho para mais possibilidades na profissão. Seu primeiro trabalho profissional - "recebi até cachê!", lembra - foi aos 16 anos, em agosto de 1969. Tocava órgão, o sintetizador da época, e passou a animar bailes e a participar de festivais de música principalmente no interior de São Paulo. Pouco tempo depois começou a compor e devido a sua versatilidade foi convidado a ingressar num time de compositores que criava temas para novelas. E, por mais incrível que pareça, temas internacionais! "Foi ai que adotei o pseudônimo de Paul Bryan", revela. Paul Bryan, isto é, Sérgio Sá fez sucesso: emplacou quatro temas entre os dez mais vendidos no ano de 1974, entre eles a música Don't say good by , tema da novela Cavalo de Aço, em primeiro lugar nas paradas. Ele lembra que compôs para muitas outras novelas como Carinhoso e O Bem Amado, grandes marcos na história da televisão. "Acabei ajudando a comprar o primeiro imóvel em São Paulo para meus pais." Talento reconhecido, Sérgio passou a ser requisitado para arranjos musicais e gravações como tecladista. Gravou em estúdio com intérpretes consagrados entre eles o 'Rei' Roberto Carlos, Simone, Jane Duboc e até com os Trapalhões. Em sua trajetória, teve a oportunidade também de viver nos Estados Unidos, local onde seu aprendizado e profissionalismo se fortaleceram. Por três anos, durante a década de 80, trabalhou em Los Angeles e Washington. "Foi minha faculdade na prática. Onde aprendi de fato num mercado competitivo, exigente e extremamente profissional." Sérgio formou-se em Educação Artística na Universidade de São Paulo - USP, dez anos antes, mas o exigente mercado americano completou sua graduação. "Tive a chance de trabalhar para a FM do Stevie Wonder em L.A. criando algumas vinhetas, o que foi, para mim, muito importante." No momento, aliando a carreira musical - ele tem sua própria produtora de áudio, a Fábrica de Sons - Sérgio pretende que o livro Feche os olhos para ver melhor seja o eixo de palestras sobre superação e a busca de qualidade de vida. "Eu fui criado em um ambiente positivo, de otimismo consciente, e aprendi que podemos mudar o que está ruim. É isso que eu quero dividir com as pessoas." Sérgio Sá - contatos: (11) 5084-2892 ou fabricadesons@Terra.com.br

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