O DESEJO DE D. RITA.


Devidamente arrumado e de mochila pronta aguardava sentado a chegada da van para me levar à Mondubim, pelo menos era isso o que eu sabia!

Toc, toc, toc no portão e intuí que seria o motorista que certamente não identificou a entrada da casa pelo interfone....ok.
Cheguo na calçada e vejo aquela van já toda climatizada e me recebe com sorriso o motorista Sr. Luiz que com pouco papo e muito forrobodó (das antigas) me conduziu até o residencial Monte Líbano (que não era em Mondubim e sim Planalto Airton Sena).
Desço da Van e adentro por um portãozinho de aluminio pelo qual já avistara o palco pequenino, quadrado e onde se apresentavam alguns artistas de circo sucedendo o humorista Lailtinho Brega...
Contactei meu partner da noite Nonato Lima que já estava no lugar me aguardando dentro de seu carro defronte ao condomínio. Chegamos mais pra perto do palco já de sanfona em punho quando chega Leandro e nos cumprimenta e apresenta o lugar e o Projeto Social naquela circunstância...
Famílias que residiam em situação de risco haviam sido deslocadas para aquele conjunto residencial há cinco anos e esse fato estava sendo comemorado, é uma maneira de solidarizar as pessoas de fazê-las sentirem-se minimamente felicitadas considerando as realidades sociais difíceis das quais emergiram.

Nos aproximamos do palco e logo se chegou uma senhora baixinha de camiseta de ¨strass¨ pretos e bermuda jeans que se apresentou como pandeirista e disse seu nome, D. Rita do Pandeiro.Prometi à ela que faria uma música comigo e logo ela sumiu!!!

Primeiro momento de interação com a técnica de João e seu parceiro e também do público ficaram um tanto encabulados. Primeira música executada e nada de grandes participações e ao final eu mesmo aplaudi a performance de Nonato em Procurando Tu; sim, levamos um repertório regional de referência pelo menos os adultos saberiam e o encantamento foi se fazendo devagar....Fui me soltando, conversando, valorizando nosso encontro e certo momento blefei, disse que estávamos finalizando e foi dai que eles se mostraram envolvidos e senti, estão conosco! Ufa!!!!

Ouvi discretamente um ressoar de platinelas e já convoquei Dona Rita que subiu sem sua camiseta brilhosa porém com a sua marca no peito, uma camiseta de algodão com o nome RITA DO PANDEIRO...
Lembrei imediatamente de quantas vezes gostaria de ter tido a chance de cantar com algum artista que estivesse em cena e nunca me foi possível....acho que era tudo o que ela queria nessa noite de comemoração compartilhar de seu dom conosco e para sua gente....
Pouco depois de nos apresentarmos e com pedidos de bis surgiram mais outra pandeirista e uma criança com uma pandeirola; convoquei geral e foi uma festa!!!!!!!!
Na sequência já subiu a mesa com o bolo e cantamos todos juntos os parabéns daquele lugar, daquela gente naquelas circunstâncias.
Lembrei de uma conhecido da época de espiritismo, seu nome era Gondin (lembrei agora) ele me dizia que eu tinha muita facilidade em me tornar "igual à eles". Mesmo entendendo o que ele quis dizer nunca entendi naquela época não consigo ver a diferença em nossa interação social. Nos precisamos mutuamente!

Que bom Deus! Podemos fazer alguma diferença, podemos trazer algumas sensações de alegrias com tão pequenas atitudes, imaginem se fossem grandes atitudes rsrsrs!!!

Girândola faça girar essas rodas cheias de emoções represadas, cheias de memórias amarguradas para que com o rodopio a gente ajude a lançar a raiva pra longe, à transmutar o medo em superação, o choro em sorriso, o lamento em canto!

GRATIDÃO!

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