Sobre os sentidos de ser Espirito.

...Há um outro termo sobre o qual importa igualmente se entender,p orque é uma das chaves de abóboda de toda doutrina moral, e que é objeto de numerosas controvérsias por falta de uma acepção bem determinada: é a palavra ALMA. A diferença de opiniões sobre a natureza da alma vem da aplicação particular que cada uma faz dessa palavra. Uma língua perfeita em que cada idéia teria sua representação por um termo próprio evitaria discussões. Com uma palavra para cada coisa todo mundo se entenderia. Segundo alguns, a alma é o principio da vida material orgânica; ela não tem existência própria e cessa com a vida; é o materialismo puro. Nesse sentido e por comparação dizem de um instrumento rachado que não produz mais som; que ele não tem mais alma. Segundo essa opinião, a alma seria um EFEITO e não uma CAUSA.

Outros pensam que a alma é o principio da inteligência, agente universal do qual cada ser absorve uma porção. Segundo eles, não haveria por todo o universo, senão uma só alma que distribui centelhas entre os diversos seres inteligentes durante a sua vida. Depois da morte, cada centelha retorna a fonte comum onde se confunde com o todo, como os riachos e os rios retornam ao mar de onde saíram. Esta opinião difere da precedente naquilo que, nesta hipótese, há em nós mais que a matéria e que resta alguma coisa depois da morte; mas é mais ou menos como se não restasse nada, uma vez que não tendo mais individualidade, não teríamos mais consciência de nos mesmos. Nesta opinião, a alma universal seria Deus e cada ser uma porção da Divindade: é uma variedade do Panteísmo.
Segundo outros enfim a alma é um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva sua individualidade depois da morte. Essa acepção é, sem contradita, a mais geral, porque sob um nome ou sob outro, a ideia deste ser que sobrevive ao corpo se encontra no estado da crença instintiva, e independentemente de todo ensinamento, entre todos os povos, qualquer que seja o grau de sua civilização. Esta doutrina, segundo a qual a alma é a causa e não o efeito é a do espiritualistas.

(Kardec, Allan - Olivro dos Espiritos - pag 10)

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